SEM CUSTO FINANCEIRO – Rob Hawkins está prestes a se mudar de Nova York e decide juntar os amigos para uma despedida. No entanto, um monstro imenso aterrissa na cidade e causa pânico. Usando uma câmera de vídeo, amigos gravam a dificuldade para sobreviver nesse caos.
ONDE ASSISTIR Cloverfield: Monstro (2008)?
Cloverfield
NOTA BRASIL 3.4/5 – MUNDIAL 7.0/10
POPULARIDADE
BRASIL 16.473 – MUNDIAL 449.000
SEM CUSTO FINANCEIRO
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| CRITICA |
AVISO O TEXTO ABAIXO PODE CONTER REVELAÇÕES DO FILME
”Cloverfield: Monstro” foi um evento. Título escondido, Estátua da Liberdade voando em Manhattan e algo monstruoso andando pela cidade viraram a internet dos acessos. J.J. Abrams e Matt Reeves venderam um mistério perfeito: ninguém sabia o que era o monstro, de onde ele vinha, a gente tinha que descobrir no cinema. Quando o filme estreou, foi um soco na boca do estômago. Era o found footage — a famosa câmera na mão estilo “A Bruxa de Blair” — elevado ao nível máximo de Hollywood.
Visto na época, o filme era pura adrenalina. Curto, direto e extremamente frenético (são 85 minutos que passam voando), ele jogou o público no chão de Nova York. A escala de destruição era Incrível, vista por baixo, no nível da rua, e impressionava demais: o exército trocando tiro com uma criatura gigante no meio dos prédios, pontes caindo, fuga no metrô iluminada por visão noturna e parasitas carrapatos tocando o terror nas sombras, nas botas dos personagens que fugiam como o diabo. O pavor de não saber o que estava acontecendo funcionou perfeitamente.
O problema é que o tempo passa, a poeira baixa e o cinema evolui. E assistido hoje, “Cloverfield” envelheceu como garrafa de vinho aberta. O grande trunfo do filme acabou virando o seu maior pesadelo. Para o estilo de câmera na mão funcionar, ele precisa de clima, estilo e bom senso. Ninguém no meio de um ataque de monstro alienígena, com o exército mandando bomba na cidade, continua filmando como se estivesse gravando um vlog de viagem. E, para piorar, o cara segurando a câmera é o Hud (T.J. Miller), um dos personagens mais insuportáveis que eu já vi na época. O cara é um mala que faz piadinha enquanto as pessoas morrem ao seu lado. A narrativa fica refém de um babaca e a câmera sacode tanto que a gente precisa de dois Dramins só pra chegar ao final.
Somando isso à motivação absurda dos protagonistas — baixar o Rambo no meio do apocalipse pra resgatar uma ex-namorada num prédio caindo aos pedaços (se fosse eu, dava um “Jesus te ama” pelo telefone) —, o resultado é uma experiência que hoje cansa mais do que impressiona.
Enfim, “Cloverfield” foi um marco de época, uma aula de marketing e um experimento de tensão muito válido pra quem tinha visto pouco ou não conhece esse estilo de câmera num filme. Mas hoje, esse filme do Matt Reeves é o testemunho de como certas modas do cinema envelhecem mal.