SEM CUSTO FINANCEIRO – Quando dois caça-recompensas rivais compreendem que os dois estão atrás do mesmo assassino, eles juntam forças na esperança de entregá-lo na justiça.
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Per qualche dollaro in più
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SEM CUSTO FINANCEIRO
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| CRITICA |
Per Qualche Dollaro in Più, continuação do clássico de 1960 Per un pugno di Dollari, nos conta a segunda aventura de Clint Eastwood como o Pistoleiro Sem Nome (aqui chamado de Manco). Desta vez, o personagem pretende caçar e reivindicar as recompensas de uma infame gangue de criminosos, incluindo seu líder, o perigoso El Indio. Enquanto isso, Manco terá que lidar com Mortimer, outro caçador de recompensas com o mesmo nível de habilidade no gatilho.
O principal chamariz do filme é a relação entre os dois mocinhos. O personagem de Lee Van Cleef (que inclusive encaixa perfeitamente no papel) é introduzido a trama de forma bastante cativante, o que logo nos instiga a descobrir mais sobre ele. Quando Mortimer e o protagonista finalmente se cruzam, o longa nos proporciona ótimas cenas que brincam com a expectativa do público ao mesmo tempo que desenvolvem a relação entre ambos. Fechando o elenco, Gian Maria Volonté interpreta El Indio, que apesar de possuir trejeitos deveras exagerado, apresenta um vilão ameaçador e, quando pode, assustador.
A trama, desta vez mais original, adquire um refinamento maior quando comparada ao anterior. Enquanto no primeiro era difícil acompanhar os acontecimentos sem ficar confuso ou perder o senso de continuidade, aqui o mesmo não ocorre. Toda a narrativa é muito bem contada, possuindo sua devida introdução de informações e desenvolvimento de personagens. O desenrolar dos acontecimentos é sempre natural e bem conduzido, o que gera um prazer maior em acompanhar a história.
As reviravoltas presentes na obra ajudam a compor de forma mais forte o tom da história, além de preencherem a trama de forma equilibrada. Há bons backgrounds para os novos personagens, incluindo flashbacks que vão pouco a pouco revelando o passado de Mortimer e El Indio, assim como uma misteriosa relação entre ambos. Apenas senti falta de um certo cuidado na ligação entre as histórias, que por pouco não soou forçada e artificial. Felizmente, ela ainda é boa o suficiente para sustentar suas motivações.
O único que permanece misterioso mesmo com o fechamento da trama é o próprio protagonista, que mantém o charme e a aptidão de seu personagem tão afiados quanto ao filme anterior, ainda sem precisar de muito a ser dito: o puro carisma de Clint Eastwood o sustenta. Os fãs do anti-herói (eu incluso) com certeza podem ficar satisfeitos com as cenas protagonizadas por ele, que acrescentam ainda mais ao quão surpreendente o personagem é.
Sendo uma obra bastante superior à original, Per Qualche Dollaro in Più nos apresenta uma trama sólida, ótimos personagens e atuações eficientemente boas (com algumas se destacando mais), tudo embalado na sempre inspirada direção de Sergio Leone e a memorável trilha sonora de Ennio Morricone. Ele não perde muito para a próxima obra do artista, que enfim o consagraria como diretor e permitiria que sua perícia fosse reconhecida pelo mundo.